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sábado, 5 de julho de 2014

PT e PSDB, as comparações corretas

 
por
Judas Tadeu Grassi Mendes

Com a aproximação da campanha eleitoral, é importante ficar atento às comparações entre o PT e o PSDB. Convido o leitor a conferir 12 importantes variáveis sobre o desempenho dos dois partidos.Quanto ao crescimento do PIB, o país, nos quatro anos de governo Dilma, crescerá apenas 1,8% ao ano, patamar inferior ao do governo FHC. Só o governo Collor foi pior que Dilma. Já em relação à inflação, em 1998 (durante o mandato FHC) foi de apenas 1,6%, a menor da história do Brasil. A inflação de Dilma está acima de 6%, extrapolando a meta de 4,5%. Se compararmos a taxa Selic, nos dois últimos anos de FHC ela foi de 17,5% em média, enquanto nos dois primeiros anos de Lula foi de 19,3% em média, ou seja, foi maior.

E temos a dívida pública. Em valor absoluto, a dívida bruta total, que FHC entregou em R$ 750 bilhões, hoje ultrapassa R$ 2,2 trilhões – nos 11 anos e meio do governo petista a dívida interna bruta aumentou em R$ 1,45 trilhão, ou seja, 193% maior que FHC. Enquanto isso, com FHC, o superávit primário médio foi de 3,3% do PIB. Hoje em dia, é de apenas 1,3%. Em maio houve déficit de R$ 10,5 bilhões, um recorde negativo.

E os investimentos em infraestrutura? No primeiro mandato de FHC, foram de 2,6% do PIB. Nos três anos e meio de Dilma, ficaram abaixo de 1% do PIB. Há ainda o pagamento de juros do governo federal. No governo FHC foram pagos R$ 600 bilhões em juros. No de Lula, mais que dobro disso (R$ 1,289 trilhão); e, nos três anos e meio de Dilma, já foram pagos quase R$ 800 bilhões em juros. Isto significa que o governo petista, nos seus 11 anos e meio, já torrou mais de R$ 2 trilhões em juros, ou cerca de 250% a mais que FHC.

O governo petista aumentou a carga tributária em 4 pontos porcentuais do PIB, o que corresponde a cerca de R$ 200 bilhões a mais por ano. Assim, os brasileiros tiveram de pagar a mais cerca de R$ 2,25 trilhões em tributos. E o pior é que, mesmo assim, o descontrole das contas públicas é total.

Na era do PT, nenhuma obra termina no prazo e com o orçamento previsto. Há o caso da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que de um valor inicial de US$ 2,5 bilhões já consumiu US$ 18 bilhões e deve ultrapassar seguramente os US$ 20 bilhões. Na transposição do Rio São Francisco, Lula e Dilma já torraram o dobro e nem metade da obra está pronta. Há centenas de outras obras na mesma situação.

De 1999 a 2002 (governo FHC), os gastos do governo federal com a educação foram de 0,8% do PIB. Com Lula (2003-2006), o porcentual foi menor, de 0,75% do PIB. Em 1995, a União era responsável por 23,8% dos investimentos na área. Atualmente está abaixo de 20%, porque aumentou a participação dos municípios. E, em relação ao investimento na saúde, de 1999 a 2002 os gastos foram de 1,7% do PIB. Com Lula, no primeiro mandato o porcentual foi levemente menor (1,697% do PIB), e atualmente não passa de 1,6% do PIB.

E, para finalizar, no caso da atual baixa taxa de desemprego (algo próximo a 5%) há uma enorme distorção, porque ela não capta os cerca de 15 milhões de pessoas que estão permanentemente se revezando na política de salário-desemprego, que vai custar, em 2014, algo como R$ 30 bilhões. Esta política virou uma indústria para não se trabalhar.

Judas Tadeu Grassi Mendes, Ph.D. em Economia, é fundador e diretor-presidente da Estação Business School.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma campanha de R$ 500 milhões e o risco para nossa democracia


Rogério Galindo, Caixa Zero, Gazeta do Povo


Eduardo Campos foi o primeiro presidenciável (dentre os que devem ter campanha mais cara) a entregar sua documentação à Justiça Eleitoral. E mandou ver nos custos da campanha: registrou um teto de R$ 150 milhões (que inclui as despesas num possível segundo turno). Imagina-se que Aécio Neves e Dilma Rousseff vão na mesma balada ou que pretendam gastar ainda mais.

Portanto, descontada a hipótese (nunca realmente descartável) de caixa dois por parte de alguém, temos que a campanha presidencial poderá passar fácil de R$ 500 milhões arrecadados. Meio bilhão de reais. E não é difícil imaginar de onde virá esse dinheiro. Quase tudo, segundo o histórico recente, sairá dos caixas de empresas privadas, com especial destaque para empreiteiras de obras públicas, bancos e grandes indústrias.

O Supremo Tribunal Federal cogita proibir tudo isso, mas ficou para 2018. Por enquanto, a pergunta que fica é se não estamos diante de um risco para a democracia. Sabe-se que esse dinheiro todo tem capacidade de mudar uma eleição: com mais viagens pelo país, melhores advogados e marqueteiros e, principalmente, um programa de tevê bem feito, ganha-se uma eleição. Ganha-se a Presidência. Com base em dinheiro, veja bem.

Michael Walzer, um importante filósofo norte-americano, diz que o conceito de “tirania” tem a ver com a possibilidade de alguém conseguir se dar bem em uma coisa pelo fato de ser bom em outra coisa não relacionada àquela. Por exemplo: alguém ganhar o emprego (mundo do trabalho) por ser bonito (o que não deveria ter relação com o trabalho). Aqui, temos outro exemplo: alguém chegar ao poder político por meio do poder econômico. Ter poder de mando por ter capital financeiro.

É isso que se quer evitar quando se fala em financiamento exclusivamente público de campanha, embora alguns contumazes míopes insistam em dizer que se trata de algo para beneficiar o atual governo ou seu partido. (Em 1963, dizia-se que dar voto a todos os cidadãos, incluindo os analfabetos, era manobra do PTB pró-Jango. O resultado foram mais duas décadas e meia de direitos cassados para parte da população.)

Mas se o financiamento viesse dos cofres públicos não sairia muito caro? Bem, os R$ 500 milhões representariam R$ 3 para cada brasileiro. Menos do que se paga em uma carteira de cigarro. E evitaríamos que empresas privadas de grande porte decidissem o destino de nossa democracia por nós. Não parece caro. Caro é arriscar perdermos o controle sobre nossas eleições em nome de um sistema que já mostrou alimentar a corrupção no país.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Dilma vai aumentar a gasolina


A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, garantiu que vai reajustar os preços dos combustíveis, sem especificar quando. Questionada sobre os impactos negativos da ingerência do maior acionista, o governo, sobre o caixa, ela afirmou que o controle da política de preços é da própria empresa. “Não tenho a menor insegurança com relação à condução da companhia, de que ela está na mão de técnicos”, garantiu. As informações são do Correio Braziliense.
Graça Foster tentou mostrar distinção entre expectativas de mercado, que “paga para ver”, e a sua função como gestora. “O que tenho que fazer é entregar o que a empresa promete, mostrar que mantemos uma gestão técnica, dizer que vamos crescer e que vamos ter correção, sim, nos preços de combustíveis. Esse é o ponto”, resumiu.
 
Para ela, a diretoria executiva não “tem que buscar explicação”, nem mesmo sobre a forte desvalorização das ações da Petrobras. “Se tudo acontecer do jeito que estou dizendo, tenho certeza de que as ações vão voltar a subir”, ressaltou. Na sua avaliação, não há prazo para que os investidores retomem a confiança na companhia, mas sublinhou que está sendo cobrada por melhores resultados. “O Conselho de Administração nos deu 24 meses. Seis já se passaram, ainda temos 18. Esse é o tempo que precisamos”, observou.

Datafolha aponta segundo turno entre Dilma e Aécio


Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (3) mostra Dilma Rousseff (PT) com 38%, Aécio Neves (PSDB), com 20% e Eduardo Eduardo Campos (PSB) com 9%. No mês passado, a soma de todos os concorrentes de Dilma alcançava 32%, ante 34% da presidente. Agora, Dilma empata com os opositores, com 38% contra 38%. Brancos e nulos somam 13%, ante 19% em junho. Os indecisos ainda são cerca de 11%, ante 13% no mês anterior.
 
Nesse cenário, que inclui as candidaturas de partidos nanicos, o pastor Everaldo (PSC) aparece com 4% (ante 4% em junho). José Maria (PSTU) tem 2%, e Eduardo Jorge (PV), 1%. No levantamento de junho, cada um tinha 1% das intenção de voto. Mauro Iasi (PCB) e Luciana Genro (PSOL) também somam 1% das intenções. Levy Fidelix (PRTB) e Eymael (PSDC) não pontuaram.
 
A taxa de rejeição da presidente Dilma Rousseff é de 32%, abaixo dos 35% do levantamento anterior. Aécio Neves e Eduardo Campos têm, respectivamente, 16% e 12% de rejeição. Em junho, a porcentagem de entrevistados que disseram que não votariam de jeito nenhum em um dos dois candidatos era de 29% para ambos.
O levantamento do Datafolha foi feito entre os dias 1 e 2 de julho, com 2.857 eleitores em 177 municípios do País. A pesquisa foi registrada no TSE sob o protocolo BR-00194/2014 e tem margem de erro máxima de 2 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%

quarta-feira, 2 de julho de 2014

20 anos do Plano Real


Relembrar é viver: Lula duvidou da eficácia do Plano Real, que, apenas no primeiro mês, reduziu a inflação em 85,58%. Na época a oposição já mostrou que estava mais preocupada com um projeto partidário de poder do que com o desenvolvimento do Brasil e dos cidadãos.

terça-feira, 1 de julho de 2014

“Real: 20 anos nesta manhã”

Há exatos 20 anos entravam em circulação as cédulas e moedas do real, a nova moeda lançada como mais uma tentativa de debelar uma hiperinflação que teimava em não dar trégua por aqui. Sob o comando do presidente Itamar Franco e com a liderança do então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real conseguiu restituir aos brasileiros a confiança na sua moeda. Esta conquista não tem preço.
Desde a redemocratização, já haviam sido tentados pelo menos seis planosde estabilização (Cruzado I e II, Bresser, Verão, Collor I e II), mas todos haviam redundado em fracasso. Com o real, finalmente, a história foi diferente. O plano triunfou por pelo menos duas de suas características: a engenhosidade que marcou a transição da antiga (o cruzeiro real) para a nova moeda e a transparência com que todas as mudanças foram implementadas.
O processo começou ainda em junho de 1993, um ano antes da estreia da nova moeda, com o anúncio de um plano de ajuste fiscal. A ele, seguiram-se cortes para equilibrar o Orçamento da União e, a partir de fevereiro do ano seguinte, a paulatina migração da antiga para a nova moeda. Tudo feito com previsibilidade, pondo fim a um histórico de pacotaços baixados do dia para a noite ao longo de anos de história econômica no Brasil.
Quando a nova moeda estreou, a inflação estava em 47,4% ao mês, o que, anualizado, equivaleria a 10.420%. Parece assombroso – e era! Mas já havia estado pior: no mês da posse de Fernando Collor de Mello na presidência da República, em março de 1990, a inflação chegara a bater em 80% ao mês. Um país com características assim não tinha a menor chance de dar certo.
Com o Plano Real, o IPCA baixou de 2.477% em 1993 para 916% no ano de lançamento da nova moeda. A inflação foi caindo progressivamente até chegar ao piso de 1,65%, o menor da história, registrado em 1998. Fernando Henrique deixou o governo com o custo de vida variando 12,5%, num repique decorrente dos temores gerados pela expectativa de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2002.
Passados 20 anos, é triste constatar que a inflação voltou a ocupar o lugar de maior fonte de preocupação dos brasileiros, temorosos de perder uma conquista que sabemos tão árdua. Pesquisas de opinião como a do Pew Research mostram que 85% dos entrevistados apontam a alta de preços como principal problema do país atualmente. Já o Ibope indica que 71% desaprovam as políticas de combate à inflação postas em marcha pela gestão Dilma.
Este ano, pelo quinto ano seguido, a inflação deverá triscar o limite superior de variação permitido pelo regime de metas – 6,5%. Em 10 dos 41 meses da gestão Dilma transcorridos até agora, o IPCA ultrapassou o teto da meta.
Os preços de itens básicos, como alimentos, são os que mais sobem, numa média de 9% há cinco anos. Com os serviços, acontece o mesmo. Não há um descontrole evidente, mas há uma perigosa convivência com índices constantemente elevados à qual o governo petista parece dar de ombros.
Entre os países do G-20, apenas seis (Argentina, África do Sul, Índia, Indonésia, Rússia e Turquia) exibem atualmente inflação mais alta que a brasileira. Entre as 26 nações que adotam regimes de metas, somente três (Gana, Indonésia e Turquia) têm índices de preço mais elevados que o nosso. Não são propriamente as melhores companhias com as quais o Brasil deveria figurar…
O maior receio dos brasileiros hoje repousa na pouca preocupação que a gestão do PT parece depositar sobre a alta generalizada de preços. Prevalece entre os petistas a crença de que um pouco mais de inflação não faz mal porque, segundo esta distorcida visão, ajudaria a impulsionar o crescimento da economia nacional.
A realidade é que a leniência petista em relação à inflação resultou na pior das equações: baixo crescimento – o menor da América do Sul – e inflação persistentemente alta. Passados 20 anos da mais importante conquista obtida pelos brasileiros na história recente, nos vemos novamente às voltas com uma agenda que parecia superada há muito tempo.
O Brasil precisa de uma nova rodada de reformas estruturais para retomar o caminho do desenvolvimento do qual se desvirtuou. É difícil conseguir isso com os atuais governantes – uma vez que, não custa lembrar, o PT foi uma das poucas forças políticas que ficou contra o Plano Real e, anos depois, também foi às raias do Supremo Tribunal Federal lutar contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Experimentamos hoje uma política esquizofrênica: ao mesmo tempo em que aperta os juros, o governo mantém frouxo o controle sobre os gastos públicos, que continuam em forte alta. Tal receita, apregoada pela “nova matriz econômica” petista, definitivamente redundou em fiasco. O que o país precisa é de uma política consistente contra a inflação, a ser tratada com tolerância zero. Desta conquista, os brasileiros não abrem mão.

Correndo contra o tempo, Dilma inaugura 2ª obra incompleta em um mês no RJ

A presidente Dilma Rousseff inaugurou, na manhã desta terça-feira (1º), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro (RJ-109). Esta é a segunda obra inacabada inaugurada pela presidente no Estado em um mês. Dos 145 quilômetros da rodovia, que vai ligar os municípios de Itaguaí e Itaboraí, 25 só devem ficar prontos até 2016. A presidente corre contra o tempo para participar das inaugurações de obras com a participação de verba federal, já que o prazo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para participar de cerimônias desse tipo acaba no sábado (5).
O mesmo aconteceu com o BRT Transcarioca, no dia 1º de junho. O corredor exclusivo de ônibus que liga o Aeroporto do Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, ao Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, foi inaugurado com apenas 19 das 47 estações em funcionamento. A construção do BRT ligando o aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca é a obra mais cara entre todas as prometidas para o Mundial da Fifa. Custará, ao todo, cerca de R$ 2,2 bilhões.
O trecho do Arco Metropolitano inaugurado pela presidente Dilma Rousseff corresponde a 71,2 km e ligará o Porto de Itaguaí, passando pela Via Dutra (BR-116), em Seropédica, até o acesso à BR-040 (Rio-Minas), em Duque de Caxias. Da BR-040, o trajeto segue por 49 km de estrada já duplicada até Magé.
Para completar o trajeto do Arco, indo de Magé até Itaboraí, onde está sendo instalado o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, é necessário que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) duplique outros 25 km restantes. O trecho, de responsabilidade do governo federal, levará mais dois anos para ficar pronto.
O grande objetivo da construção do Arco é desviar o tráfego intenso de veículos que atravessam a cidade do Rio, diminuindo congestionamentos nas principais vias de acesso à cidade, como a Avenida Brasil.
“O arco abre o acesso a um território que estava desocupado na Baixada Fluminense, trazendo oportunidades sociais e econômicas. Hoje, inauguramos um arco rodoviário que pode ser chamado de ‘caminho do futuro’. E eu duvido que tenha exista um lugar tão adequado para se instalar uma empresa como nesse arco rodoviário”, afirmou Dilma durante a cerimônia.
Procurado, o Dnit afirmou que as obras de duplicação dos 25 km de sua responsabilidade ainda não começaram e que a expectativa é que o trecho seja concluído em 2016. O restante da obra foi executado pelo governo do Rio.
No dia 1º de junho, depois de ter sido adiada, a inauguração da Transcarioca aconteceu com a presença da presidente Dilma Rousseff. No entanto, apesar do investimento de R$ 1,1 bilhão do governo federal e de R$ 524 milhões da Prefeitura do Rio de Janeiro, menos da metade das estações entraram em funcionamento na ocasião da inauguração. Das 47, só 19 estavam funcionando.
Sobre a previsão para que todas as estações da Transcarioca passem a funcionar, a Secretaria Municipal de Obras informou entregou toda a obra pronta no dia 1º de junho e que informações sobre a operação das estações cabem à Secretaria Municipal de Transportes, que, por sua vez, disse que a implantação é feita de forma gradual.